10 de agosto de 2016

Massa sem glúten para salgadinho brasileiro frito

Por esses dias Tony e eu fomos convidados a um encontro de amigos em comemoração ao aniversário da Patty: que é uma das amigas do Tony. O encontro teve como tema a Patty e cada um deveria levar alguma comida feita em casa, ou como eles dizem; homemade. Todos os amigos do Tony sabem que sou brasileiro e sendo assim achei interessante levar alguma comida típica do Brasil, o complicado foi pensar em comida sem glúten pois a danadinha (rs) para aumentar a dificuldade da minha tarefa é intolerante ao glúten. Bom, depois de boa parte do dia pensando no que fazer eis que uma estrela brilhou na minha cabecinha desmiolada e me fez pensar em salgadinhos de festa! Tem alguma coisa mais gostosa e mais brasileira que salgadinho? Pode até ser que tenha (rs) mas certamente salgadinho é delicioso!

Pois bem, decidido o prato me coloquei a buscar na internet alguma inspiração para faze-lo sem glúten. Quem procura acha e achei a inspiração que precisava. Antes uma nota: pretendia fazer coxinha mas achei a massa levemente "puxa puxa" e difícil de modelar a bendita da coxinha, mas quem é realmente prendado com as mãos pode tentar modelar, se não ficar bom faça como eu, modele pastelzinho.

Massa para salgadinho frito, sem glúten:

1 litro de água.
1 copo de 200 ml de leite (se você for intolerante a lactose não precisa colocar o leite).
Meio quilo de batatas.
1 cubo de caldo de legumes, carne ou frango.
1 colher de chá de sal.
Pimenta do reino moída.
1 colher de sopa de manteiga.
Farinha sem glúten até dar ponto (aproximadamente 500 gramas). Eu usei uma mistura de farinhas que aqui já vem pronta (farinha de arroz, batata, tapioca e goma guar), mas a base desta farinha é a farinha de arroz.


Se o recheio do seu salgadinho for frango utilize a mesma água do cozimento do frango para cozinhar as batatas que devem já estar descascadas e cortadas em cubos. Apos as batatas estarem bem cozidas acrescente o leite e a manteiga e verifique se você possui mais ou menos 1 litro desta mistura, se não, complete com leite. Se o recheio do salgadinho não for frango utilize a agua do cozimento das batatas e siga as mesmas orientações anteriormente citada. Apos ter verificado a quantidade de liquido volte a mistura para a panela e espere levantar fervura para colocar a farinha.

Uma coisa que aprendi com minha mãe e avó foi que se esse tipo de massa não estiver bem cozida pode dar indigestão. Quem já fez coxinha sabe com pode ser pesado cozinhar esse tipo de massa mas não desanime, acrescente a farinha e faça o que fiz no vídeo abaixo por aproximadamente 10 minutos.

Após o cozimento da massa jogue-a em uma bancada e sove-a por uns 5 minutos, coloque farinha na bancada para não grudar. Depois de sovar a massa se optar por fazer pastel abra-a com um rolo e use um cortador ou copo para cortar círculos. Monte os pasteis, passe em uma mistura de água e ovo e depois empane em farinha de milho/fubá. Frite em óleo limpo.

O pessoal na festa amou os salgadinhos, e olha que aqui nesta foto tem americano, brasileiro (eu), russo e alemão, sem contar as descendências... Fiquei até sem graça com tantos elogios dizendo que estava uma delícia, e a massa de tão suave derretia na boca!

5 de agosto de 2016

Um achado inusitado

A alguns dias atrás em meio a trilhas por bosques de floresta temperada no passeio que Tony e eu fizemos a Carolina do Norte tive a oportunidade de ver e fotografar um achado inusitado para mim; uma plantinha pálida como um fantasma escondida debaixo da penumbra de altos e imponentes pinheiros, carvalhos, plátanos e maple trees que certamente passa despercebida a olhares desatentos, mas me fez arregalar os olhos ao avista-lá. Isso pois tinha visto esta planta anteriormente somente em um livro da faculdade de biologia, e ela com sua biologia inusitada soa bem exótica ao meus olhos curiosos.



O nome cientifico desta plantinha é Monotropa uniflora e o nome popular lhe dá uma pitada de excentricidade: planta fantasma!


Em ralação ao modo de nutrição, quase todas as plantas são de vida livre, ou seja: são plantadas na terra sob a luz do sol, regadas e pronto! Mas algumas usam como estilo de vida a simbiose ou mesmo o parasitismo. Nada na vida e nem na biologia é assim tão simples (rs).

Essa danadinha para obter os açúcares que necessita pra viver precisa parasitar uma planta fotossintética, mas por si só não consegue. Logo, a mãe natureza ou biologicamente falando, a evolução, conduziu esta planta a bolar uma maquiavélica estratégia de simbiose. Suas raízes incrustam hifas de fungos micorrízicos que se conectam com as raízes de árvores como se fossem pontes. A partir de agora ela consegue obter os açúcares que precisa da árvore com a ajuda do fungo. A natureza não é mesmo fascinante?

NW Wildflowers
Bom, deixando o espirito de professor biólogo um pouquinho de lado o que tenho a dizer é que amei este passeio pela Carolina do Norte, as redondezas do vilarejo de Blowing Rock apesar de tão diferente me lembrou bastante a minha querida Minas Gerais. Foi como ter um abraço mineiro a acalentar a minha alma. Vocês saberiam me dizer o motivo olhando a imagem abaixo? :)


Ah, as montanhas! ... Apesar da semelhança entre as silhuetas sinuosas destas e as montanhas mineiras, não podemos nos deixar enganar, assim que se passa por passagens encantadas como esta conseguimos perceber que na verdade um espirito totalmente diferente habita este local.


A imagem abaixo na verdade é um video, podem clicar



Esta foi a primeira vez que vi de perto uma floresta de clima temperado, e acredito que por nunca ter visto neve me pegava pensando e tentando processar a informação aqui dentro da minha cabeça de que tudo isso fica debaixo de neve no inverno! É até difícil de acreditar!




Difícil de acreditar ou não é assim que acontece e espero ter a oportunidade de voltar a esta floresta e conhecer os encantos do outono e inverno. Por hora podemos apreciar este espirituoso veranico com coelhinhos saltitando pelo caminho, maças e berries por amadurecer no pé e muitas flores selvagens ou plantadas pelo homem.




Um abraço apertado a todos e na próxima postagem vou contar um pouquinho sobre uma reserva ecológica muito bonita chamada Grandfather Mountain.





3 de julho de 2016

Pavê de chocolate amargo

Sabe aqueles dias em que você prepara um bolo grande e não da conta de come-lo antes que comece a ressecar? Isso aconteceu comigo semana passada com esse bolo de chocolate feito com cacau em pó e açúcar mascavo super saudável e gostoso que vocês podem ver fatiado aí na foto. Metade do bolo ficou na geladeira até que tive esta brilhante ideia de montar um pavê substituindo o biscoito ou bolacha por bolo! Ideia muito boa pois salvei o bolo de ir para o lixo e de quebra nos rendeu uma sobremesa deliciosa. Segue adiante a receita do bolo e do pavê.





Bolo de chocolate amargo

3 ovos.
3 xícaras de trigo.
3 colheres de sopa de manteiga.
3 colheres de sopa de cacau em pó.
2 copos de açúcar mascavo ou 1 copo e meio de açúcar branco.
2 colheres de sopa rasas de fermento em pó.
1 copo e meio de leite.

Bata na batedeira os ovos com o açúcar e a manteiga, acrescente os demais ingredientes e bata bastante até que a massa fique bem cremosa. 

Creme para o pavê de chocolate amargo

Meio litro de leite.
Meia lata de leite condensado.
Duas colheres de sopa de cacau em pó.
Duas colheres de sopa de amido de milho.

Faça um creme leve com estes ingredientes utilizando uma panela ao fogo e para montar o pavê corte o bolo de chocolate amargo em fatias e intercale-o em um refratário com o creme de chocolate amargo.

16 de junho de 2016

Sonho americano?

Olá meus queridos amigos, quem me acompanha lá pelo Facebook já sabe que estou nos Estados Unidos \o/ isso mesmo, estou aqui na cidade da Wald Disney World, a famosa Orlando que fica na Flórida, conhecida carinhosamente como sunshine state, o Estado do sol.

Hoje eu percebo que este meu clichê sonho americano começou comigo criança quando por volta dos meus 10 anos disse ao meu pai que apesar de tudo um dia eu iria pisar nos Estados Unidos. Anos se passaram e inconscientemente fui fazendo escolhas que me trouxeram aqui. Aos 14 anos ao invés do curso técnico escolhi estudar inglês num colégio de ensino voltado a cultura americana. Um curso que a princípio não iria me render nada mas foi um passo importante para duas conquistas na minha vida.



Aos 25 quando me dei conta de estar estudando mestrado dentro de uma universidade federal (UFES) e vi a oportunidade de conseguir o meu visto americano. Planejei uma ida à cidade do Rio de Janeiro e com muita sorte e merecimento consegui o meu visto, então de forma acanhada comecei a planejar minha viagem.

O interessante é que apesar dos meus medos, decepções e ansiedades as coisas em minha vida fluem de uma forma em que eu não sei explicar. Chegando aqui, minha amiga Geilza que conheço a mais de 10 anos e que considero da família recebeu-me de braços abertos em sua casa (sabe aquelas pessoas que você deve agradecimento por toda vida, ela é uma das que está na minha listinha, e aqui nos Estados Unidos até o dia de hoje minha listinha cresceu três nomes).



Me perdoem mas vou contar uma fofoca... eu vim para viajar mas acredito que por diferentes expectativas de vida minha amiga e sua família pensou que vim para ficar e colocou um peso em minhas costas de que eu deveria trabalhar. E quando eu comecei a passear sozinho, fazer amizade com o pessoal local e a chegar em casa a noite por volta das 10 horas quase todos os dias eles começaram a ficar zangados até que pediram para eu deixar a casa pois eu não queria saber de trabalhar! Isso mesmo, trabalhar, pasmem!!

No momento a gente recebe a noticia com peso porem acredito que na maioria das vezes Deus sempre escreve certo em linhas tortas. Liguei para um de meus amigos que também está na minha listinha de sinceros agradecimentos e perguntei se podia ficar em sua casa, passeamos e passamos dias alegres mas já nesta altura do campeonato comecei a ficar preocupado pois já estava aqui por mais dias do que o planejado. Eu sinto que devo pedir desculpas a este meu amigo se em meus devaneios e inicio de desespero eu tenha o deixado desapontado mas nesta altura a vontade de ficar por aqui começou a germinar no meu coração.



Graças a minha coragem e cara de pau e novamente o ditado "Deus sempre escreve certo em linhas tortas" hoje estou morando em outra casa, mas mudando um pouquinho o curso da conversa; para nós brasileiros não é nada fácil a tarefa de decidir imigrar pra cá, e digo sinceramente que até hoje fico em dúvida e com medo desta árdua decisão. Abandonar a minha vida no Brasil para começar tudo do zero aqui sem minha família e sem meus amigos, será que dou conta?




Bom, acredito que depois desta pergunta oblíqua devo abrir um parentese para explicar que viver ilegalmente por aqui nunca foi a minha intenção pois para mim não é vantajoso, além de ter percebido que eu não consigo me sustentar aqui vivento ilegal. Diferentemente de muitas outras pessoas que tiram de letra, talvez algum dia eu tente explicar em uma postagem essa realidade de muitos por aqui.

Minha história aqui está apenas começando e eu ainda não sei o que será de mim, mas no momento estou tentando ficar calmo para refletir e decidir se realmente ficar é o que quero. No mais o que tenho a acrescentar é que a vida no Brasil não está fácil, não tenho emprego garantido e mesmo com expectativas de ser nomeado num concurso público acredito que nesta fase de minha vida ficar por aqui irá me abrir portas e melhorar os meus conhecimentos e ampliar a minha visão de mundo mais do que qualquer cargo público de professor em alguma escola pública da minha cidade. Meus diplomas de faculdade e mestrado sempre estarão comigo independente de quantos anos eu fique fora do Brasil e que por agora estou bem e namorando.